Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Poente em Faro

No vidro translúcido de vinho rosa

bate o sol inteiro,

na ria, na doca, nas portas do mar,

a gaivota grasna.

Na palma estendida, no vime entrançado,

oiro goteja num halo azul.

Declina o dia, a nuvem cinza filtra a luz

brilhante, amaciada.

O rosto interroga e aguarda,

apenas, calmo,

o exato cambiante, previsto

e sempre novo.

 

 

Retirado do livro: Branco, Azul e Canela
1966-67

Outros poemas deste livro: