Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Acima, a capa de um livro datado de 2009, então publicado com o nome fictício de Aurélio Porto.
O título desse livro é também agora o título deste e-sítio.

Nesta Página Inicial, surge a cada dia um poema diferente. Por meio da seta no fundo desse poema, pode encontrar os restantes 150 de uma antologia selecionada a partir dos livros ou plaquetes constantes da Galeria.

Na Panorâmica, pode rapidamente, em dois minutos, ficar com uma ideia da minha poesia.

Acedendo a Alguns Poemas, e explorando a lista que então surge, pode ser lido qualquer um dos 150 poemas ou fragmentos da antologia.

Em Galeria (Livros e Plaquetes), o n.º zero contém anotações, introduções, informações que não são indispensáveis para fruir ou conhecer os poemas, mas que podem ajudar. Os restantes «livros» (por vezes muito pequenos, as plaquetes) encontram-se na Galeria em série numerada, de momento, de 1 a 30.

Arrábida

Das brumas do norte chegado,

o deslumbramento que tu foste,

que tu és!

Fremente a terra debruçada no azul

cristal,

tremente na leve aragem o carrasco,

o zambujeiro,

sulcado o céu de um branco fiapo perdido

sobre a oliveira na escarpa,

e o mar em baixo.

Agora que Tánatos parece presidir

e a Terra geme sob o peso da foice que aniquila,

agora que o veneno corre nos rios e nos mares,

e os solos contamina,

Arrábida por ti ainda vale a pena,

a montanha no ar finíssimo,

a tua paleta verde, ocre e azul,

a que os poetas amaram!

 

 

Retirado do livro: Uma Leitura de Sebastião da Gama
1989

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