Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

[Nos penhascos de outrora,]

Nos penhascos de outrora,

no tempo virgem dos amigos

no céu do início,

no pranto e no ranger de dentes

com que aos quinze anos se entra no mundo,

o espanto da flor nascendo sem terra ou raiz.

Nas falésias de Lagos,

quando o tempo sobre si rodou

o giro árido de desencantos vários,

no momento exato em que a outra vertente

ao alcance da mão surge,

nos olhos o antigo espanto,

nos dedos a carícia

da flor nascendo sem terra ou raiz.

 

 

Retirado do livro: Branco, Azul e Canela
1966-67

Outros poemas deste livro: