Contigo aos quinze anos tudo se aprende,
a sentir, a amar e a cantar.
Depois vêm os sábios – és ingénuo,
simples de mais,
andas longe das ideias que triunfam.
Para ti não há louros, apenas a fidelidade inquebrável
de amigos vivos
que na mão fechada cabem.
Sim, é verdade, duas ou três professorinhas primárias
ao colo apertam os teus livros,
antes que venha o vendaval da vida e as transforme
em propagandistas de perfumes,
bancárias,
ou guardadoras de meninos, exaustas e já sem chama.
Professorinhas primárias! Torcem o nariz os eruditos,
os sofisticados críticos do esquecimento,
calam o teu nome,
exilam-te no limbo das antologias.
E no entanto vives, vives na Arrábida e na terra toda inundada de luz,
vives a cantar, a amar e a sentir.
Eternos são os quinze anos que te amam.