Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Arrábida

Das brumas do norte chegado,

o deslumbramento que tu foste,

que tu és!

Fremente a terra debruçada no azul

cristal,

tremente na leve aragem o carrasco,

o zambujeiro,

sulcado o céu de um branco fiapo perdido

sobre a oliveira na escarpa,

e o mar em baixo.

Agora que Tánatos parece presidir

e a Terra geme sob o peso da foice que aniquila,

agora que o veneno corre nos rios e nos mares,

e os solos contamina,

Arrábida por ti ainda vale a pena,

a montanha no ar finíssimo,

a tua paleta verde, ocre e azul,

a que os poetas amaram!

 

 

Retirado do livro: Uma Leitura de Sebastião da Gama
1989

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