Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

[Num céu meridional um garoto de bruços]

Num céu meridional um garoto de bruços

No encanto do sol a respiração das casas

Uma flor ameaçada não receia que murche

e à poeira se expõe redonda e aberta

 

Coração de criança ao longo de um corpo

com seu peso de anos com seu túmulo aceso

Coração sempre virgem para além do cansaço

desponta no dia uma pulsação nova

 

Se a tarde envelhece a limpidez do olhar

Se a usura nos tira nosso fruto tão limpo

não se despe por isso de nossos membros a pele

no dealbar da manhã acordamos inteiros

 

Temos o hábito dos ossos partidos

Sabemos de cor o timbre do golpe

Num céu meridional um garoto de bruços

dorme-nos no sangue     Acorda     Respira

 

 

Retirado do livro: Branco, Azul e Canela
1966-67

Outros poemas deste livro: