Num céu meridional um garoto de bruços
No encanto do sol a respiração das casas
Uma flor ameaçada não receia que murche
e à poeira se expõe redonda e aberta
Coração de criança ao longo de um corpo
com seu peso de anos com seu túmulo aceso
Coração sempre virgem para além do cansaço
desponta no dia uma pulsação nova
Se a tarde envelhece a limpidez do olhar
Se a usura nos tira nosso fruto tão limpo
não se despe por isso de nossos membros a pele
no dealbar da manhã acordamos inteiros
Temos o hábito dos ossos partidos
Sabemos de cor o timbre do golpe
Num céu meridional um garoto de bruços
dorme-nos no sangue Acorda Respira