O tempo em seu rosto abriu já rugas as primeiras
A luta a labuta lavraram sulcos fundos fundas olheiras
Seus cabelos na cabeça Deus começou já a descontá-los
A juventude dentro dele já quer sair ele tenta agarrá-los
Mas ela já se vai já começa a partir já toma o largo
Nunca foram as donzelas tão alheias tão belas fascinantes
Tão gráceis prometedoras esquivas tão distantes
Nunca as miragens ousaram ser tão atraentes
As esperanças tão fugazes as ilusões tão evidentes
Nunca o peso dos dias pareceu tão breve tão fugaz e amargo
Ela ali está com suas primeiras madeixas brancas
Longínquas e perto como sempre as mãos macias as ancas
Abrigando tempestades acolhendo sonhos molhados impossíveis
Acaricia lenta e demorada um beijo um sorvo um trago
Da vida o outro lado começam já a vislumbrá-lo
A boca e a pele o carinho em silêncio no estreito gargalo
Do tempo esvaindo-se ainda os reúne ainda os separa
Ainda as águas calmas lhes nega do prometido lago
Da vida o outro lado desponta no horizonte adivinhado
Como com eles brinca o tempo cruel e ainda tão amado!