Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Exílio – III

Já não bastam os olhos – e o pranto que não corre

das palavras se esconde. Não basta também

silêncio, já nada fala que não arranque da terra

a raiz vulnerável.

Oculta ferida, muro granítico de um corpo a outro corpo,

violência dilacerando não a carne

mas o que ela oculta – faminta boca voraz

do coração, músculo batendo com seu sangue aprisionado

contra a separação que o gangrena.

 

Retirado do livro: Investigação da Alegria
Publicado em 1989, poema de 1970-71

 

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