Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Solidão 1

Minha senhora, dona solidão

o que lhe apetece, diga por favor?

 

O meu ramo de rosas,

a flor do trevo,

um dedal de vento,

ou o açucareiro novo?

 

Se calhar a haste do meu girassol,

o sol do jardim,

a boneca dela, de porcelana e seda,

o gato malhado, o manjerico do vaso,

o meu violão?

 

Ou um poucochinho da minha companhia,

ó minha senhora, dona solidão?

 

Quer que lhe venda a alma?

Que lhe troque o sangue

por uma navalha nova, a brilhar de fogo?

 

 

 

Retirado do livro (inédito): Meninice
03-09-1963

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