um homem que a terrível solidão
visitou um dia
um homem vergado para o chão
com os dentes sobre o pó
um homem que nunca mais pôde endireitar as vértebras
quando a rajada violenta e inesperada
o dobrou como uma árvore jovem
até à raiz mal segura
um homem que viu todas as máscaras caindo
todos os véus que se rompiam
de repente numa voz numa única impotência
viu todos os rostos alhearem-se dispersos
um homem que a terrível solidão marcou com o seu peso
um homem que cresceu à sombra
da terrível árvore da solidão
um homem que a conheceu como os seus dedos
que lhe viu o pulso
que lhe sentiu o hálito e o sopro junto à face
que a beijou de manso depois de saciado
que aguardou o momento para que, tendo-se retirado,
a solidão o deixasse só
parece-me que não serei capaz de dar um nome a este homem