Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

[esperando do homem sua morte]

esperando do homem sua morte morrendo nós também ao apressá-la suspensos lhe escutávamos a fala julgando que à podridão a morte de um homem é bastante para libertar o coração para precisar o corte   Retirado do livro: Vinte e quatro vezes, vezes maio Publicado em...

[triste gente cansada que nós somos]

triste gente cansada que nós somos triste gente enganada que nós fomos esperando da morte o seu avesso que é vida   e morte em arremesso   Retirado do livro: Vinte e quatro vezes, vezes maio Publicado em 1989, poemas de 1968-69

[O mundo que me escapa de que é]

O mundo que me escapa de que é feito?  De gente mal encontrada?  Da salvação a metro?  Do azul que se oculta?    Sorrisos esparsos na cidade,         o rosto admirável impenetrado, a fadiga é o exílio onde o dia se flecte,  adoração de carne não prevista. Das flores...

[em meu país de língua areia verde]

em meu país de língua   areia verde a febre a morte o sangue mil corpos sufocando até que vinte e quatro vezes vezes maio levantem o asfalto         ergam as cabeças     Retirado do livro: Vinte e quatro vezes, vezes maio Publicado em 1989, poemas de...