Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Flores

Mais uma loja de flores abriu, frente ao cemitério.

Não porque haja agora mais mortos, provavelmente.

Mas neste tempo em que as imagens, todos os dias, fogem velozmente

e logo desaparecem na febre do desejo fugaz,

aos nossos mortos nos prendemos, que calmamente permanecem

lá onde os visitamos, lá onde a eles nos reuniremos em breve

nós que temos, já tivemos, vinte anos e sabemos viver como imortais                                                                           apenas.

 

 

Retirado do livro: Último Beijo
1986-88

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