Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

[No meio da cidade grande]

No meio da cidade grande

é muito antiga a cidade antiga.

Mas no poente é de agora o sol.

 

 

Não o vemos, mas é o pavão quem grita.

Deslumbrantes penas, voz roufenha.

Quem se atreve a mais?

 

 

Da pomba, do repentino calmo voo,

falar não se pode

–  dança muito mais que dança.

 

 

O bebé dormindo,

ao colo leva a mãe,

adolescente.

 

 

Retirado do livro: Despedida
1986-87

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