Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

Despedida

Às portas da cidade mais detritos ainda.

Mas já a terra, a piteira, a levada em ruínas.

 

 

Branco loendro, loendro rosa, penumbra e sol.

Despedida.

 

 

Romãzeira carregadinha no entardecer de agosto.

Como se tornou firme a rugosa casca de outono!

 

 

A cabra, o borrego, o cordeiro balindo.

No engarrafamento, que espanto para o automóvel!

 

 

Cachorrinho coçando a pata, ele te olha.

Que curiosidade naquele olhar fundo!

 

 

Tão pequenos, ao longe parecem ratinhos.

Mas já gane a ninhada nova.

 

 

Que importa o golpe, o árido deserto, a noite cerrada?

Esse é o preço pelo futuro agora fulminante raio.

 

 

Retirado do livro: Despedida
1986-87

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