Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

[O mundo que me escapa de que é]

O mundo que me escapa de que é

feito?  De gente

mal encontrada?  Da salvação

a metro?  Do azul

que se oculta?    Sorrisos esparsos

na cidade,         o rosto admirável

impenetrado,

a fadiga é o exílio

onde o dia se flecte,  adoração de carne não

prevista.

Das flores de

maio,

é o ventre aberto

desta terra que se fecha quando o toco.

 

 

Retirado do livro: Vinte e quatro vezes, vezes maio
Publicado em 1969, poemas de 1968-69

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