Flor de um dia

poesia

José Carlos Costa Marques

[O teu rosto é um na multidão]

O teu rosto é um na multidão

onde me surjo; um, não mais,

apenas uma face lisa onde, jovem

agora, uma pele rugosa nascerá.

 

Contesto-me contigo. Saberei fazê-lo

ainda quando outros olhos dizem certo

onde outros passos pisam sem esforço

um palmo escasso, mas palmo em suas mãos,

 

argila já moldada, com o punho em frente.
Que coisa quererei? Não o aposto agora

dentro de um tempo que a ninguém pertence,

 

pois que de ninguém é, porque não é.

E assim não sei mais que em cada rosto

ver uma vida, vária, e a minha, incerta,

 

contestada.

 

Retirado do livro: Sétimo Outubro de Guerra
Publicado em 1966, poemas de 1960-66

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