Vê se reparas na fundura dos olhos
vê se adormeces na sombra da fronte
embarca de vez na curva da face
reabre a garganta à aspereza do grito
Uma face não sabe o mar que ela esconde
uma orelha despreza não ouvir o silêncio
Mas o cabelo flutua no côncavo triste
que os ombros desenham na volta da praia
Reergue, levanta a língua à altura da arca
resguarda as mortalhas da poeira do chão
Eu vi as flores nascendo das pedras
sem folhas sequer sem terra e raiz
raízes criando da ausência da água
dando à secura a cor dos teus lábios