Ó reclamada névoa de pinhal,
ó flores que um lavrador
amou cantando,
vinde até hoje
deixai o vento modelar o barro
e pássaros da terra ainda
surgem
Que as coisas são opacas duras
tristes e informes
E apesar de tudo
somos ainda homens
homens cantando as névoas de um pinhal
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Areia cabe nos dedos
mas poucos
apenas alguns distraídos
reparam nisso
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Areia ali está
cantando
desde os pinhais de Dinis
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Que se sabe do túmulo
de Isabel?
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Que de ventos nos comovem
se não sabendo onde
nos procuram?
Ventos, ventos da charneca
nos cavalos do vento
chega a onda
que nos cobre
Ventos sois
não fantasmas
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Flores
verdes flores do pinho
sabeis vós do meu amigo?
O meu amigo – mas verdadeiro
amigo –
o companheiro das estradas
o que comigo sonhou
a decadência
o que comigo em dois
se dividiu
sabe-se acaso o mar
que o ganhou?
Flores
verdes flores do mar
mudas não sois
senão amadas
ó flores do rei
ó encobertas
Retirado do livro: Breve Luz Nos Morde
1967 (data de publicação; os poemas remontam provavelmente a 1960)